A cultura e a herança dos judeus vão estar em destaque de 15 a 18 de junho, em Bragança, num evento internacional que pretende “recolocar” esta região nas rotas do turismo cultural e religioso judaico.
“Terra(s) de Sefarad: Encontros de Culturas Judaico-Sefardita” é o tema de um programa de quatro dias com um congresso, exposições, concertos, cinema e outras atividades, além da presença de vários nomes de referência, nomeadamente Yasmin Levy, “a mais conhecida e celebrada voz da música sefardita contemporânea”, divulgou a organização.
O património e os vestígios do contributo histórico e cultural dos judeus portugueses existentes em Bragança é o ponto de partida para o evento internacional que tem como propósito “dinamizar a investigação, preservar e partilhar essa identidade religiosa e cultural”.
“Para além de sensibilizar o turismo cultural e religioso judaico, nacional e internacional, salientando a importância da cultura sefardita, este evento procura também recolocar Bragança nas rotas internacionais, especialmente através da proximidade a Espanha, dando uma tónica significativa à vasta região do norte peninsular”, indicou a organização numa nota enviada às redações.
O congresso internacional incluído no programa tem a coordenação científica da Cátedra de Estudos Sefarditas e irá abordar a “Identidade e Memória Sefardita: História e Atualidade”.
Bragança é apontada como “o centro de uma região incontornável para se compreender o património e a herança judaica em Portugal”.
A cidade criou recentemente dois espaços culturais que refletem e valorizam essa memória, concretamente o Centro de Interpretação da Cultura Sefardita do Nordeste Transmontano e o Memorial e Centro de Documentação – Bragança Sefardita, ambos situados na rua Abílio Beça, a já reconhecida “Rua dos Museus”.
O centro de interpretação tem a assinatura do arquiteto Eduardo Souto Moura, integra a história da cultura sefardita do Nordeste Transmontano e conta com a investigação da Cátedra de Estudos Sefarditas «Alberto Benveniste» da Universidade de Lisboa e a museografia da Ideias Emergentes.
O Memorial e Centro de Documentação – Bragança Sefardita, com arquitetura de Susana Milão e Eurico Salgado, em parceria com a Rede de Judiarias de Portugal – Rotas de Sefarad, apresenta uma abordagem mista, material e virtual.
“O visitante é acolhido numa sinagoga, mostrando-se didaticamente a dimensão religiosa. O lugar da mulher, os ritos e as festas têm espaço consagrado nos restantes pisos, procurando-se sempre entender a dimensão da vida sefardita na cidade de Bragança”, descreve a organização.
Segundo os estudiosos, “desde a Idade Média que documentalmente existem provas da importante dimensão económica e cultural da comunidade judaica de Bragança” e a importância da cidade é realçada “aquando da expulsão dos judeus de Castela e Aragão em 1492, localizando-se aqui uma das cinco fronteiras definidas por D. João II para a receção dos refugiados”.
Durante séculos, mesmo após a conversão forçada e a instalação da Inquisição, as comunidades judaicas da região transmontana dinamizaram o crescimento económico e o ambiente social da cidade com fábricas de seda, trabalho de curtumes, diversas atividades artesanais e lojas comerciais, contribuindo para tornar esta cidade num “centro económico e financeiro significativo no contexto peninsular”.
Com a passagem ao tempo dos cristãos-novos, Bragança tornou-se, durante séculos, um dos esteios nacionais do marranismo português.
A partir de 1925, foi recriada a comunidade judaica em Bragança tendo como base cripto-judeus da cidade.
Fuente: bomdia.eu
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