Grácia Nasi de Esther Mucznik

Gracia NasiA história judaica tem mulheres extraordinárias. Da matriarca Sara à sionista Golda Meir, muitas mulheres judias fizeram história.

Grácia Nasi foi uma delas. Com um carácter intocável e uma personalidade de ferro moldada pelas agruras da vida, esta mulher não teve medo de desafiar homens, papas, reis e o seu próprio destino.

Nasceu em 1510 em Portugal depois de a sua família ter sido perseguida e expulsa de Espanha. Contudo não seria em Lisboa que encontraria a tranquilidade desejada. Viúva aos 25 anos, herdeira de um império comercial e de uma incalculável riqueza cobiçada por todos, Grácia Nasi torna-se numa verdadeira mulher de negócios, assumindo o seu espírito pioneiro e empreendedor, traço marcante dos sefarditas judeus/cristãos novos.

Grácia Nasi percorre o mapa da Europa, passando por cidades como Antuérpia e Veneza, até chegar ao Império Otomano, onde finalmente pode praticar a sua fé às claras, sem recear qualquer perseguição. É aí que se dedica a ajudar os seus correligionários a escapar à Inquisição, apoia o estudo e o ensino religiosos, bem como a edição de Bíblias e estende a mão aos mais necessitados.

O livro conta a história de esta mulher judia e portuguesa do século XVI, no período dramático e conturbado que se segue às conversões forçadas dos judeus por D. Manuel I, em 1497. Grácia Nasi nasce no seio de uma família judaica refugiada de Espanha pelo decreto de expulsão em 1492 e obrigada a uma conversão em Portugal. Baptizada à nascença com o nome cristão de Beatriz de Luna, viveu desde criança no mundo ambivalente de uma dupla identidade: cristã por fora, judia por dentro. As perseguições, a fidelidade à fé judaica e a voracidade de reis, nobres e Papas relativamente ao imenso império financeiro que herda por morte de marido, Francisco Mendes, levam-na a uma errância que acompanha o mapa da Europa até ao império Otomano, onde finalmente se pode assumir abertamente como judia.

Esther Mucznik
E MucznikFilha de pais polacos, viveu em Israel e em Paris onde estudou, respectivamente, língua e cultura hebraicas e Sociologia na Sorbonne. É vice-Presidente da Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) e fundadora em 1994 da Associação Portuguesa de Estudos Judaicos. Presidente e fundadora em 2008 da Memoshoá – Associação Memória e Ensino do Holocausto, co-fundadora do Fórum Abraâmico de Portugal para o diálogo inter-religioso e membro da Comissão Nacional de Liberdade Religiosa. Foi colunista do jornal Público de 2002 a 2011.

Estudiosa das questões judaicas, tem coordenado cursos e seminários sobre história e cultura judaica, liberdade religiosa e diálogo-inter-religioso, Israel e o Médio-Oriente, e publicado numerosos trabalhos sobre estas temáticas, entre os quais “Grácia Nasi, A judia portuguesa do século XVI que desafiou o seu próprio destino”, e “Portugueses no Holocausto”, ambos na editora Esfera dos Livros, respectivamente em 2010 e 2012.

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